terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Crítica: A Erva do Rato

Uma imagem vale mais que mil palavras. Essa é a frase que resume o filme "A Erva do Rato", de Julio Bressane. Com um elenco que consiste em dois atores, o filme de apenas 80 minutos é um desafio. Baseado em dois contos de Machado de Assis, é violento e calmo ao mesmo tempo. Selton Mello e Alessandra Negrini interpretam um casal que se conhece no cemitério. Solitários, resolvem ir morar juntos. Depois de se sentirem entediados, acabam desenvolvendo uma relação estranha por causa de um novo passatempo: fotografia. Parece que é por meio das fotos que o corpo dela é revelado à ele...aparenta ser sua primeira exploração ao universo feminino. Submissa, como se devesse um favor, ela aceita a situação, mesmo se sentindo cansada daquilo tudo. Até que um terceiro personagem (o rato) entra na trama de forma bizarra. A história do longa se passa quase toda na casa dos dois, em que a rotina é pesadamente retratada nas imagens. As cores, as sombras, os objetos da casa, o figurino, o enquadramento, tudo transmite tristeza e solidão. O barulho dos cliques da máquina fotográfica contribui para a sensação de tédio. A compulsão dele por fotografá-la nua provoca o espectador, chama para a agonia de algo que parece nunca ter fim. A atuação de Alessandra Negrini pode provocar até intolerância em quem não tiver os olhos acostumados ao incomum. É, realmente, um grande desafio assistir até o final, apesar da beleza incontestável da fotografia de Walter Carvalho.



Fica Técnica:
Título: A Erva do Rato
Direção: Julio Bressane
Gênero: Drama
Lançamento: 2009
Duração: 1h e 20 min
Roteiro: Julio Bressane e Rosa Dias (baseado em dois contos de Machado de Assis)
Produção: Julio Bressane e Marcelo Ludwig Maia
Música: Guilherme Vaz
Fotografia: Walter Carvalho
Direção de Arte: Moa Batsow
Figurino: Ellen Milet
Edição: Rodrigo Lima